Hall do CCSH, Antiga Reitoria. Debate entre as chapas candidatas ao DCE - UFSM. Enquanto alguém, de alguma chapa falava no microfone (com o som baixo e sem médios), ouvia-se o coro “de oposição” gritando: “ladrão, ladrão, ladrão”. Posteriormente, enquanto o magrão de outra chapa falava, ouvia-se (e via-se) o coro, também “de oposição”, pulando e gritando: “quem não pula é do PSOL”. No hall do CCSH, Antiga Reitoria, ouvia-se o coro, esse também “de oposição” (a essa altura oposição era quem dissesse que era oposição primeiro): “PT, PT, PT”.
Sempre me culpei, me autoflagelei em pensamentos por nunca ter participado efetivamente do movimento estudantil. Sempre vi documentários furiosos sobre a força jovem em maio de 68, sobre MR-8, Sandro Goiano camisa 8, enfim, uma gama de motivos para mim rugir por aí destruindo condados de neo-liberais. Mas hoje, ao ver a cena descrita anteriormente, broxei. Broxei como um senhor de 90 anos tentando dar um trato na última leitoa da fazenda. A última vez que broxei assim foi assistindo a maratona das Olimpíadas de Atenas, quando o padre irlandês maluco segurou o Vanderlei.
Broxei porque sempre assisti àqueles estudantes mobilizados, se opondo a regimes opressores, ditadores, militares enfurecidos… E o que vejo hoje, quando é a minha vez? Estudantes mobilizados uns contra os outros. Estudantes vasculhando uma brecha na sociedade e nas instituições para terem um motivo para cruzar os braços e dizer: - Não, eu sou contra.
A sociedade é corrompida, corrupta e de valores morais enegrecidos por preconceito e ignorância. É sim, e o governo, idem. E o que o movimento estudantil está fazendo? Primeiramente, servindo de fantoche de partidos políticos e, depois, se embasando em retrocesso, mais ignorância e selvageria gratuita para nortear seu próprio rumo.
No hall do CCSH, Antiga Reitoria, enquanto eu assistia aquela COISA acontecendo, veio o comentário muito pertinente do Diandrei:
- A impressão que eu tenho é de que se alguém em determinado momento do discurso puxar um “chão, chão, chão”, aquilo ali vira uma festa…