Eu perdi bastante de mim esse ano,

sem ganhar nada em troca.

Não que eu merecesse,

mas as qualidades que eu tinha foram absorvidas pelos vícios.  

 

Eu perdi bastante de mim esse ano,

porque escolhi o ceticismo que só causou frustração.

É por que eu não sou um desses viajantes.

Nem livre nem preso.

Eu devia ter dado valor pras pessoas,

mas só dei valores para as coisas.  

 

Eu perdi bastante dos outros,

no auge da minha arrogância.

Trocando um olhar apaixonado pelo vazio,

pela solidão.

Trocando abraços por insultos.  

No meu vocabulário só couberam grosserias.

Nas paredes do meu quarto estão jogados meus planos.

Aos meus pés, os sonhos.

 

A minha cabeça não pára mas na minha garganta o grito cala.

Porque só tem voz quem soma, não quem ignora.

 

Quem soma.

 

Por isso, eu não queria drama,

eu não queria caridade.

Eu só precisava de mim,

e da minha vontade.

 

Eu devia sorrir menos pra agir mais,

e eu devia chorar mais pra errar menos.

Se eu tivesse remorso minha vida não seria um ócio.  

Simplesmente prendendo a angústia,

pra soltar o entusiasmo.

 

Entusiasmo estático.

 

De quem perde a fé nos seus proprios atos.

“A estudante Nayara Silva, de 15 anos, fez um pedido nesta segunda-feira (20) aos médicos do Centro Hospitalar de Santo André, no ABC. Ela pediu uma visita do atacante do Milan Alexandre Pato, segundo a assessoria de imprensa do hospital.

Os médicos que cuidam de Nayara evitam conversar sobre o seqüestro de mais de 100 horas em Santo André, que terminou com a morte de sua amiga Eloá Cristina Pimentel, 15 anos. Um dos médicos se surpreendeu com o pedido de Nayara e, sem poder fazer nada, comunicou o desejo da jovem à assessoria de imprensa.

Só são autorizadas visitas que podem trazer benefícios para a recuperação de Nayara, conforme a avaliação dos médicos. Se Pato fizer uma visita, será recebido.” 

 

“Contratado para defender a adolescente Nayara Silva, de 15 anos, o advogado Ângelo Carbone já decidiu uma de suas primeiras medidas: processar o estado de São Paulo e pedir R$ 2 milhões de indenização para a família da jovem que foi ferida com um tiro no rosto no desfecho do seqüestro em Santo André, no ABC, na sexta-feira (17).

“Penso em R$ 2 milhões para cima. Os pais dela querem justiça”, afirmou Carbone na manhã desta quarta-feira (22). O advogado se baseou em, segundo ele, “falhas” que ocorreram durante o caso. “É um absurdo ela ter voltado (ao cativeiro). Uma loucura. Ela não tinha autorização dos pais. Quem fez isso vai ter de responder”, disse Carbone. 

Ele se referia ao fato de Nayara ter voltado ao apartamento de Eloá Cristina Pimentel, 15, a amiga que era feita refém pelo ex-namorado Lindemberg Alves, 22, desde segunda-feira (13). Nayara também estava no imóvel, mas havia sido libertada no dia seguinte. No entanto, quis voltar ao local para ajudar nas negociações. Carbone culpou a polícia por ter deixado que ela tomasse a atitude. “O estado a colocou em uma situação em que quase morreu”. Na ação, o advogado pedirá também que o governo arque com todas as despesas de tratamento psicológico e médico para Nayara para que ela “não fique mendigando nada”. Ele previu que a menina “terá problemas na escola e no trabalho” por causa do trauma sofrido. 

Carbone afirmou que pretende levar a adolescente ainda na tarde desta quarta para depor. As declarações de Nayara são consideradas fundamentais no inquérito para que se saiba como foram os últimos momentos antes e depois da invasão do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), tropa de elite da PM. 

O advogado, que assumiu o caso apenas na terça-feira (21), disse que o depoimento deve ser no fórum de Santo André, na presença de um promotor e do delegado do caso. Uma psicóloga acompanhará tudo. “Não vai ter pressão. Ela não vai ficar seis horas sofrendo”, afirmou Carbone, que chamou Lindemberg Alves de “psicopata” e “assassino frio e calculista”. 

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Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então

Quinze minutos de fama
Mais um pros comerciais,
Quinze minutos de fama
Depois descanse em paz.

 

No orkut já existem comunidades como ‘Eloá e Nayara, amizade de verdade’, ‘Nayara Silva’ (3600 pessoas),Eloá e Nayara [JUSTIÇA], dentre outras. No perfil da moça, já foi alterada a localização para “AUSENTE TEMPORIARIAMENTE! – Preciso de um pouco de paz”. Existem milhares de recados, comentários de fotos, etc.

Você não deixou seu scrap, não entrou na comunidade?

Então corra!

 

Fontes:

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL831762-5605,00-ADVOGADO+DE+NAYARA+QUER+INDENIZACAO+DE+R+MILHOES.html

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL806071-5605,00-NAYARA+PEDE+VISITA+DO+JOGADOR+ALEXANDRE+PATO.html

orkut: eu me prestei a pesquisar.

 

letra: Titãs – A mlehor banda de todos os tempos da última semana

“Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido.
Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais são uma grande idéia.
Este planeta tem, ou melhor, tinha o seguinte problema: a maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente à movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos, o que é curioso, já que no geral não eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes.
E assim o problema continuava sem solução. Muitas pessoas eram más, e a maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.

Um número cada vez maior de pessoas acreditava que havia sido um erro terrível da espécie descer das árvores. Algumas diziam que até mesmo subir nas árvores tinha sido uma péssima idéia, e que ninguém jamais deveria ter saído do mar.
E, então, uma quinta-feira, quase dois mil anos depois que um homem foi pregado num pedaço de madeira por ter dito que seria ótimo se as pessoas fossem legais umas com as outras para variar, uma garota, sozinha numa pequena lanchonete em Rickmansworth, de repente compreendeu o que tinha dado errado todo esse tempo e finalmente descobriu como o mundo poderia se tornar um lugar bom e feliz. Desta vez estava tudo certo, ia funcionar, e ninguém teria que ser pregado em coisa nenhuma.
Infelizmente, porém, antes que ela pudesse telefonar para alguém e contar sua descoberta, aconteceu uma catástrofe terrível e idiota, e a idéia perdeu-se para todo o sempre.
Esta não é a história dessa garota.
É a história daquela catástrofe terrível e idiota, e de algumas de suas conseqüências.
É também a história de um livro, chamado O Guia do Mochileiro das Galáxias, um livro que não é da Terra, jamais foi publicado na Terra e, até o dia em que ocorreu a terrível catástrofe, nenhum terráqueo jamais o tinha visto ou sequer ouvido falar dele.
Apesar disso, é um livro realmente extraordinário.
Na verdade, foi provavelmente o mais extraordinário dos livros publicados pelas grandes editoras de Ursa Menor, editoras das quais nenhum terráqueo jamais ouvira falar, também.
O livro é não apenas uma obra extraordinária como também um tremendo bestseller, mais popular que a Enciclopédia Celestial do Lar, mais vendido que Mais Cinqüenta e Três Coisas para se Fazer em Gravidade Zero, e mais polêmico que a colossal trilogia filosófica de Oolonn Colluphid, Onde Deus Errou, Mais Alguns Grandes Erros de Deus e Quem É Esse Tal de Deus Afinal?
Em muitas das civilizações mais tranqüilonas da Borda Oriental da Galáxia, O Guia do Mochileiro das Galáxias já substituiu a grande Enciclopédia Galáctica como repositóriopadrão de todo conhecimento e sabedoria, pois ainda que contenha muitas omissões e textos apócrifos, ou pelo menos terrivelmente incorretos, ele é superior à obra mais antiga e mais prosaica em dois aspectos importantes.
Em primeiro lugar, é ligeiramente mais barato; em segundo lugar, traz impressa na capa, em letras garrafais e amigáveis, a frase NÃO ENTRE EM PÂNICO.”

Esse é o prefácio do último livro que eu li, O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS, de Douglas Adams. É um livro ótimo, de leitura fácil e rápida, muito engraçado e muito esclarecedor também. Pra quem é pão duro, ou preguiçoso, coloco o link do ebook:

http://rapidshare.com/files/71175387/Douglas_Adams_-_O_Guia_do_Mochileiro_das_Gal_xias.pdf

Mas não deixe de ler e, por favor, NÃO ENTRE EM PÂNICO. =)

Ninguém sabe direito onde ele nasceu, ninguém sabe um monte de coisas pra criar um mistério em torno dele, as quais eu não preciso ficar citando por ser simplesmente chato demais fazer esse trabalho de criar o “clima” adequado. Portanto, enfie na sua cabeça que ele é misterioso.

Deu?

Ótimo.

Como eu dizia, Triunfo nunca foi completamente entendido, estudado, etc. Ele nunca precisou disso, e as pessoas nunca pensaram nisso. Pudera! Triunfo nunca demonstrou interesse pelas pessoas. Mas ele, sem querer, acaba sempre se dando bem.

Nunca foi um desses caras que tentaram, que pensaram sobre os fatores críticos de algo. Ele apenas fazia, ele agia, ele era uma força inexoravelmente incomum de sucesso pessoal. Triunfo comia todas as meninas que ele queria, e não era somente pela mágica que emanava dele, mas também por que ele sabia exatamente onde colocar as palavras pra abrir as pernas delas. Afinal, ele nunca precisou de um mínimo de bom senso e gentileza pra isso. Ele nunca precisou pensar no que se tornara para , depois, interferir na vida alheia. Além disso, ela era bonito demais. Bonito mesmo.

Certa feita, tentaram bater no Triunfo na escola. O que aconteceu foi inexplicavelmente inexplicável. Por mais que os garotos chutavam, esmurravam, se jogavam para cima, não o atingiam; uma fina placa transparente o pretegia de qualquer insulto, até os verbais. Ela rebatia-os e os fazia acabar acertando em outros pontos não planejados pelos agressores (alguns dizem que essa placa era composta de culturas projetistas, preconceitos, ausência lógica imparcial, mas nada disso foi comprovado).

Na entrevista que fiz com Triunfo, em maio de 1968, perguntei-o onde estava, Deus do céu, a chave de tanto sucesso.

Ele respondeu com parcimônia, olhando fixamente para o segundo botão da minha camisa:

- No bolso interno do meu paletó.

Triunfo já ganhou muito dinheiro como rockstar, cartunista, economista, administrador, médico, policial, agrônomo, dancer, cafetão, tradutor, jogador de pádel, camelô, fruteiro, podólogo, e até como negro, no Brasil!

Triunfo nunca olhou no espelho e se sentiu mal. Pelo contrário, o mal se sentiu Triunfo.

Triunfo nunca foi autêntico. Ele sempre soube que dependia das pessoas para ser ele mesmo. Ria-se, porém, dos que tentando ser Triunfo, diziam-se autênticos.

Ele é onipresente e intocável, ou seja, está todos dias causando nos mais diversos lugares e todos saudam-no. Triunfo é onipotente, ele é a verdade, a explicação para qualquer meio. Triunfo, meus confrades, talvez tenha se tornado uma espécie de Deus em um modelo sócio-econômico de uma época de menos de 100 anos de duração, modelo esse contemplado por muitos vassalos que o defendem como imutável e de caráter eterno. Triunfo tem um sex appeal impressionante: todos os desejam, querem pelomenos chegar até ele uma vez na vida e esbaldar-se com o que Triunfo pode oferecer para quem consegue o encontrar. Ninguém, absolutamente NINGUÉM, quer estar longe dele.

Triunfo construi uma casa no planeta Terra, que funciona até hoje como o norte das massas cinzentas de primatas desenvolvidos dotados da chamada racionalidade.

Ereções não teriam sentido, sem Triunfo.

- Cara, eu tô cansado… 

- Mas vai te afumentá, tu não faz nada e ainda tá cansado?

- Que não faço nada meu! 

- Me diz o que tu faz de tão extraordinário assim?

E assim, perduraria a conversa; Um justificando, falando das suas atividades e o Outro rebatendo que o Um não faz metade do que alguém da idade dele deveria fazer. Até chegarmos a estação seguinte, onde Um diria: 

- Problema é que eu tô cansado, não importa o resto. João ganhou 1 milhão na bovespa aos 20 anos, José participa de uma ONG, faz duas faculdades, tem 2 empregos e ainda uma namorada, mas e aí? 

- Aí que não adianta tu fica te fazendo. Arruma alguma coisa, corre atrás de algo, tenha algum objetivo!

- Eu acho isso tudo muito interessante e muito correto, mas… não adianta, nada me atrai, os meus dias parecem um deja vu chato e sem graça um dos outros.

- Quem sabe tu não tenta uma outra faculdade, ou monta uma banda, ou joga a bolinha pro teu cachorro buscar, sei lá, toma um porre com teus amigos…

- Ah sim, pra mim ficar lamentando a minha ressacada com ar de satisfação e dizendo “porra, eu bebi muito ontem, hehe”.

- ” Bei, nem me fala, que trago”… Pior que é né, as coisas caem numa normalidade patética depois dum tempo, e a gente finge não perceber. 

- Mas repetir as coisas é bom, não tem como fazer uma coisa nova a cada dia. 

- Ignorar essa percepção sem sentir culpado é que é difícil. 

- Ehhhh… Não sei, eu tenho vontades sabe, eu passo o dia pensando. Fazendo auto-análise, análise da minha situação social, análise dos outros, análise da situação social dos outros, análise do meu encontro com os outros, o que seria o correto para mim, para os outros, porque o Ronaldo tá tão gordo. Mas aí eu não chego a nada aprazível, nada que eu possa dizer: Puuuxa, isso é realmente interessante.

-  Também, tu não procura nada, tu só pensa, tu só diz que faz, que vai isso, aquilo, e eu não vejo nada. Tu tem que agir… fazer… Na vida é assim, o tempo passa, as pessoas passam, é tudo efêmero!

- Pois, pra tu ver que eu não sou de todo um desperdício, se é tudo efêmero mesmo.

- Então…

- Sabe o que eu queria de verdade? Eu queria pegar e ir viajar, sumir por anos, pra qualquer lugar, acho que ia ser bom, pra mim e pra todo mundo que convive comigo… Meu “sucesso” nunca vai servir pra mim, vai servir sim pra minha família, meus amigos, as pessoas feito tu: que sabem que eu sou capaz das coisas, se dão bem comigo e acreditam em mim, mas o fato é que no fundo o meu conceito do que é ser uma pessoa boa, não passa perto do que é aceitável pro meio que eu vivo.  Resumindo: é como se eu fosse um cavalinho numa corrida dessas e todo mundo tá apostando em mim pra ganhar, ou seja, o cavalo não ganha absolutamente nada com aquilo, apenas ver a satisfação de quem apostou nele dizendo: “Eu sabia que ele era bom”. 

- É, mas se tu viajasse invariavelmente tu ia fazer amigos nesse lugar novo, conhecer garotas! Ia ser bom, talvez…

- É mesmo, Eu ia fazer amigos, conversar demais, sorrir demais, aí ia dar na mesma também.. Não sei, eu vivo como se estivesse atormentado, eu vivo mas é como se estivesse sempre faltando alguma coisa.

- Tu é fresco.

- Nem tanto, essa minha angústia ainda há de ser meu combustível. 

- Bela frase.

- Eu adoro elas.

Fortuna: Pitt e Jolie vendem foto dos filhos gêmeos por U$$ 11 milhões.

Essa notícia, lida no “Windows Live Hoje”, a primeira vista me pareceu algo pertinente à série do Kibe Loco “Notícias que vão mudar o mundo”, mas depois de analisá-la por um momento pensei: de que forma a revista que comprou essa foto vai tirar esse dinheiro? Tcharaaam! Porque ela vai cobrir esse “custo” com a venda em larga escala das unidades dessa mídia. Mais óbvio que isso só a sexualidade do Richarlyson.

Pois bem, aí que se encontra o fator que me enfureceu. Existem pessoas realmente dispostas a desembolsar dinheiro para ver essa foto, pois como disse meu chefe ao vermos um cidadão anunciando pelo orkut que vendia tripas bovinas:

- Se existe gente disposta a vender tripas pelo orkut, pode ter certeza que existe gente disposta a comprá-las.

- Porra… – concluí.

Ou seja, as pessoas é que estão pagando esses milhões à indulgente família Pitt por revelar ao mundo a imagem de recém nascidos gêmeos, sem a qual o planeta pereceria por problemas de desigualdade social, racismo e fome. A “concessão” da família Pitt deixará, vejam só, as pessoas mais generosas, honestas, éticas e asseadas moralmente. Macacos não poderão mais ser eleitos para o congresso. Programas da Márcia Goldschmidt e Luiz Gasparetto serão extintos. O movimento estudantil não será manipulado por interesses políticos. Enfim, a sociedade irá sorrir mais.

Acredito eu, que Brad e Angelina poderão comprar muitas fraldas com esse dinheiro todo e, veja que relação estreita, cada leitor que comprar a revista para ver essa linda foto estará contribuindo para os gêmeos manterem seus cus limpos. Os filhotes esses, levarão uma vida cercada de cuidados, posando para foto na escola e indo com o uniforme novo do Yankees no estádio junto com papai Tyler Durden. Futuramente, sentindo a pressão da vida através da imagem, a prole Sr e Sra Smith desejará privacidade. Então, com 2 ou 3 milhões sobressalentes, Mamãe Tomb Raider vai providenciar uma Ferrari para cada um. Mesmo assim, morando em Beverly Hills e curtindo a sua meta-vida com meta-garotas, os rebeldes irmãos vão se meter em encrencas de tirar o fôlego em aventuras radicais que serão pura adrenalina. Até que a 259km/h, bêbados fazendo um racha, vão tragicamente destruir suas Ferraris Mugello contra um muro. No velório as gêmeas Olsen, Kanon de gêmeos, Rogério Ceni e Luciano Huck lamentarão as mortes dos amigos que finalmente foram se juntar às Torres Gêmeas.

Eu, já um senhor, abrirei o msn e no “Windows Live Hoje” lerei “Mais vivos do que nunca: Pitt e Jolie vendem foto dos filhos gêmeos mortos por U$$ 22 milhões.”

Mais vale vinte e dois na mão do que dois no sutiã.

Sobre pessoas eu não digo nada, elas falam por si só e, na maioria das vezes, sem uma única palavra.

Hall do CCSH, Antiga Reitoria. Debate entre as chapas candidatas ao DCE – UFSM. Enquanto alguém, de alguma chapa falava no microfone (com o som baixo e sem médios), ouvia-se o coro “de oposição” gritando: “ladrão, ladrão, ladrão”. Posteriormente, enquanto o magrão de outra chapa falava, ouvia-se (e via-se) o coro, também “de oposição”, pulando e gritando: “quem não pula é do PSOL”. No hall do CCSH, Antiga Reitoria, ouvia-se o coro, esse também “de oposição” (a essa altura oposição era quem dissesse que era oposição primeiro): “PT, PT, PT”.

Sempre me culpei, me autoflagelei em pensamentos por nunca ter participado efetivamente do movimento estudantil. Sempre vi documentários furiosos sobre a força jovem em maio de 68, sobre MR-8, Sandro Goiano camisa 8, enfim, uma gama de motivos para mim rugir por aí destruindo condados de neo-liberais. Mas hoje, ao ver a cena descrita anteriormente, broxei. Broxei como um senhor de 90 anos tentando dar um trato na última leitoa da fazenda. A última vez que broxei assim foi assistindo a maratona das Olimpíadas de Atenas, quando o padre irlandês maluco segurou o Vanderlei.

Broxei porque sempre assisti àqueles estudantes mobilizados, se opondo a regimes opressores, ditadores, militares enfurecidos… E o que vejo hoje, quando é a minha vez? Estudantes mobilizados uns contra os outros. Estudantes vasculhando uma brecha na sociedade e nas instituições para terem um motivo para cruzar os braços e dizer: – Não, eu sou contra.

A sociedade é corrompida, corrupta e de valores morais enegrecidos por preconceito e ignorância. É sim, e o governo, idem. E o que o movimento estudantil está fazendo? Primeiramente, servindo de fantoche de partidos políticos e, depois, se embasando em retrocesso, mais ignorância e selvageria gratuita para nortear seu próprio rumo.

No hall do CCSH, Antiga Reitoria, enquanto eu assistia aquela COISA acontecendo, veio o comentário muito pertinente do Diandrei:

- A impressão que eu tenho é de que se alguém em determinado momento do discurso puxar um “chão, chão, chão”, aquilo ali vira uma festa…

Algum dia, eu vou olhar para o telefone, olhar para a parede fria e tentar imaginar aonde estará o meu amigo Charles (pois já não vou mais ter intimidade para chamá-lo de Xibo). Tentarei buscar nas minhas mais profundas memórias todas as aventuras, indiadas e tragos que me meti junto com ele. Lembrarei, saudosista, do seu rosto gordo, barbudo, com madeixas de cabelo oleosos caindo pela testa.

O boné sujo, que eu lhe dei.

A sua voz de monstro.

Ligarei, nostálgico, já com os olhos cheios de lágrima e escutarei aquele velho amigo atender:

- Alô?
- Alô, Charles? É o Tony, lembra?
- Ah, é tu gordo… tá loco!
- Tá tudo bem cara? Tá sem dá notícias…
- Não, não, tá tudo bem… Tô tomando um samba com uns amigos…
- Opa! Então fez novas amizades. Que bom! Quem são eles?
- Ah, tem vários: o Molinete, o Pica-pau, o Nézim, o João da Porca…
- Mas quem são esses?
- Há, uns parcero ai que eu conheci aqui no trabalho. São meus subordinados.

Desligarei o telefone, e nunca mais retornarei. Xibo encontrara seu caminho.

* Xibo ou Charles é um grande amigo meu de Agudo, que vai se mudar para Foz do Iguaçu onde trabalhará num presídio.

Pois é pessoal, muito se fala em Nostradamus, cigana da bola de cristal e nega do terrero, mas aqui vai a profecia da derrota do curíntia, no álbum de 2003 da banda Dance of Days, a música Cem Mil Bolas de Neve:

*( ) = comentários

“As vezes tudo em que digo acreditar
parece tão idiota e eu nem sei se
já fui derrotado antes mesmo de erguer
minhas armas. (a estrofe fala por si só)

Será que as minhas trincheiras
me esconderam demais, (sobre a formação defensiva do Mano Menezes…)
me cobri de poeira
e nada pude ver? (Dois gols em 15 minutos. O time eu não sei, mas o Felipe certamente não viu)

Teorias tropeçam na mesa do bar (aonde mais um curitiano ia tá? no bar enchendo a cara ou roubando…pra ir no bar encher a cara depois)
e no fundo sabemos que já não há
um leão gigantesco apenas (Sport Club Recife)
que precise cair
para o sol um dia voltar a brilhar,
e que na verdade ele pode estar
te dando um sorriso agora (Carlinhos Bala, fazendo o chororô)
que amortecido acordas (no dia seguinte ao jogo os atréta do curíntia não desceram tomar café no hotel)
e não sabes o que quer.

Se os porcos tomaram a casa dos senhores ( Palmeiras)
e andam em duas patas porque não ouves
a voz que grita em teu coração a dizer
que é hora de morrer?” ( é curíntia, ouça a voz do teu coração duma vez)