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Ninguém sabe direito onde ele nasceu, ninguém sabe um monte de coisas pra criar um mistério em torno dele, as quais eu não preciso ficar citando por ser simplesmente chato demais fazer esse trabalho de criar o “clima” adequado. Portanto, enfie na sua cabeça que ele é misterioso.
Deu?
Ótimo.
Como eu dizia, Triunfo nunca foi completamente entendido, estudado, etc. Ele nunca precisou disso, e as pessoas nunca pensaram nisso. Pudera! Triunfo nunca demonstrou interesse pelas pessoas. Mas ele, sem querer, acaba sempre se dando bem.
Nunca foi um desses caras que tentaram, que pensaram sobre os fatores críticos de algo. Ele apenas fazia, ele agia, ele era uma força inexoravelmente incomum de sucesso pessoal. Triunfo comia todas as meninas que ele queria, e não era somente pela mágica que emanava dele, mas também por que ele sabia exatamente onde colocar as palavras pra abrir as pernas delas. Afinal, ele nunca precisou de um mínimo de bom senso e gentileza pra isso. Ele nunca precisou pensar no que se tornara para , depois, interferir na vida alheia. Além disso, ela era bonito demais. Bonito mesmo.
Certa feita, tentaram bater no Triunfo na escola. O que aconteceu foi inexplicavelmente inexplicável. Por mais que os garotos chutavam, esmurravam, se jogavam para cima, não o atingiam; uma fina placa transparente o pretegia de qualquer insulto, até os verbais. Ela rebatia-os e os fazia acabar acertando em outros pontos não planejados pelos agressores (alguns dizem que essa placa era composta de culturas projetistas, preconceitos, ausência lógica imparcial, mas nada disso foi comprovado).
Na entrevista que fiz com Triunfo, em maio de 1968, perguntei-o onde estava, Deus do céu, a chave de tanto sucesso.
Ele respondeu com parcimônia, olhando fixamente para o segundo botão da minha camisa:
- No bolso interno do meu paletó.
Triunfo já ganhou muito dinheiro como rockstar, cartunista, economista, administrador, médico, policial, agrônomo, dancer, cafetão, tradutor, jogador de pádel, camelô, fruteiro, podólogo, e até como negro, no Brasil!
Triunfo nunca olhou no espelho e se sentiu mal. Pelo contrário, o mal se sentiu Triunfo.
Triunfo nunca foi autêntico. Ele sempre soube que dependia das pessoas para ser ele mesmo. Ria-se, porém, dos que tentando ser Triunfo, diziam-se autênticos.
Ele é onipresente e intocável, ou seja, está todos dias causando nos mais diversos lugares e todos saudam-no. Triunfo é onipotente, ele é a verdade, a explicação para qualquer meio. Triunfo, meus confrades, talvez tenha se tornado uma espécie de Deus em um modelo sócio-econômico de uma época de menos de 100 anos de duração, modelo esse contemplado por muitos vassalos que o defendem como imutável e de caráter eterno. Triunfo tem um sex appeal impressionante: todos os desejam, querem pelomenos chegar até ele uma vez na vida e esbaldar-se com o que Triunfo pode oferecer para quem consegue o encontrar. Ninguém, absolutamente NINGUÉM, quer estar longe dele.
Triunfo construi uma casa no planeta Terra, que funciona até hoje como o norte das massas cinzentas de primatas desenvolvidos dotados da chamada racionalidade.
Ereções não teriam sentido, sem Triunfo.

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