Velho

 

Fiquei com medo de ficar velho,

depois ver fotos

e chorar

e lembrar

dos lugares que eu frequentava

com meus amigos

com quem talvez eu nem fale mais,

nem saiba onde andam.

 

Quando eu estiver velho,

não quero ver

os garotões

e as mocinhas

se reinventando

pra poder fazer as mesmas coisas

nos mesmos lugares,

como eu mais todos jovens fazemos

hoje.

 

Em maior ou menor intensidade

nós, os garotões e mocinhas,

vamos morrendo

devagar

a fim de parecermos um pouco mais

vivos.

 

Só não quero ficar velho

e perceber

que passei o tempo todo

fazendo isso.

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Piada Estudantil: o próximo, pode ser você!

Hall do CCSH, Antiga Reitoria. Debate entre as chapas candidatas ao DCE – UFSM. Enquanto alguém, de alguma chapa falava no microfone (com o som baixo e sem médios), ouvia-se o coro “de oposição” gritando: “ladrão, ladrão, ladrão”. Posteriormente, enquanto o magrão de outra chapa falava, ouvia-se (e via-se) o coro, também “de oposição”, pulando e gritando: “quem não pula é do PSOL”. No hall do CCSH, Antiga Reitoria, ouvia-se o coro, esse também “de oposição” (a essa altura oposição era quem dissesse que era oposição primeiro): “PT, PT, PT”.

Sempre me culpei, me autoflagelei em pensamentos por nunca ter participado efetivamente do movimento estudantil. Sempre vi documentários furiosos sobre a força jovem em maio de 68, sobre MR-8, Sandro Goiano camisa 8, enfim, uma gama de motivos para mim rugir por aí destruindo condados de neo-liberais. Mas hoje, ao ver a cena descrita anteriormente, broxei. Broxei como um senhor de 90 anos tentando dar um trato na última leitoa da fazenda. A última vez que broxei assim foi assistindo a maratona das Olimpíadas de Atenas, quando o padre irlandês maluco segurou o Vanderlei.

Broxei porque sempre assisti àqueles estudantes mobilizados, se opondo a regimes opressores, ditadores, militares enfurecidos… E o que vejo hoje, quando é a minha vez? Estudantes mobilizados uns contra os outros. Estudantes vasculhando uma brecha na sociedade e nas instituições para terem um motivo para cruzar os braços e dizer: – Não, eu sou contra.

A sociedade é corrompida, corrupta e de valores morais enegrecidos por preconceito e ignorância. É sim, e o governo, idem. E o que o movimento estudantil está fazendo? Primeiramente, servindo de fantoche de partidos políticos e, depois, se embasando em retrocesso, mais ignorância e selvageria gratuita para nortear seu próprio rumo.

No hall do CCSH, Antiga Reitoria, enquanto eu assistia aquela COISA acontecendo, veio o comentário muito pertinente do Diandrei:

– A impressão que eu tenho é de que se alguém em determinado momento do discurso puxar um “chão, chão, chão”, aquilo ali vira uma festa…

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A Viagem de Xibinho

Xibo foi embora.

Foi embora e vai ser carcereiro.

Algum dia, eu vou olhar para o telefone, olhar para a parede fria e tentar imaginar onde estará o meu amigo Charles (pois já não vou mais ter intimidade para chamá-lo de Xibo). Tentarei buscar nas minhas mais profundas memórias todas as aventuras, indiadas e tragos que me meti junto com ele. Lembrarei, saudosista, do seu rosto gordo, barbudo, com madeixas de cabelo oleosos caindo pela testa.

O boné sujo, que eu lhe dei.

A sua voz de monstro das cavernas.

Ligarei, nostálgico, já com os olhos cheios de lágrima e escutarei aquele velho amigo atender:

– Alô?
– Alô, Charles? Sou eu, Sad, lembra?
– Ah, é tu gordo… tá loco!
– Tá tudo bem cara? Tá sem dá notícias…
– Não, não, tá tudo bem. Tô tomando um samba com uns amigos!
– Opa! Então fez novas amizades. Que bom! Quem são eles?
– Ah, tem vários: o Molinete, o Pica-pau, o Nézim, o João da Porca…
– Mas QUEM são esses?
– Ah… Uns parcero aí que eu conheci aqui no trabalho… São meus subordinados.

Desligarei o telefone, e nunca mais retornarei. Xibo encontrara seu caminho.

* Baseado em fatos reais.

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Buenos dias, bom proveito.

É com muito orgulho que digo que a inauguração do sadparadise é, para mim, como se fosse a inauguração de um projeto de vida: não vai dar certo.

“Don’t Try”

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